quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Tragédias na MPU!


Ano passado estudei, com um professor, uma pequena introdução à uma área chamada caos quântico. Nada muito complexo, direcionado para um aluno de graduação. A gente mostrou, com um exemplo simples, como um sistema classicamente caótico é 'interpretado' pela mecânica quântica. Um pouco de história, fundamentos, etc...

Decidimos que seria legal apresentar na mostra de produção universitária (MPU). Era a primeira vez que eu mostraria um trabalho meu para outra pessoa. Tratei de abarrotar 30 slides de powerpoint com o maior número de equações e gráficos que pude! Ensaiei todos os argumentos, para todas as possíveis perguntas. Nada poderia dar errado.

Diversas pessoas apresentariam seus trabalhos na mesma sala, com a mesma banca. Logo na primeira apresentação, percebi que não havia um único membro da banca da área das exatas, muito menos física. Até hoje não tenho certeza se isso foi uma infeliz coincidência ou alguém andou testando alguma ideologia imbecil no estilo 'pessoas de áreas diferentes podem analisar os objetivos dos trabalhos sem que a tecnicidade atrapalhe' (eu consigo imaginar isso saindo da boca de alguém).

Respirei fundo e fui. No início nem dei bola pra eles! Fui apresentando da maneira que eu achava melhor. Abre essa equação e coloca naquela outra. Caos clássico isso, caos quântico aquilo. Schrödinger, Gutzwiller e outros nomes horríveis foram proferidos enquanto um dos membros da banca olhava pra mesa, a outra pela janela, e o outro fazia cara feia pra mim. Da metade pro final da apresentação já nem me preocupava mais em apresentar, só queria terminar aquela tortura medieval. (pensando em mim e na banca!) Pulei alguns slides dizendo "ah.. isso nem era tão importante assim" e finalmente, terminei.

Até agora só contei a parte 'tragicômica' da história.

Esse ano me inscrevi de novo. Com um trabalho diferente. E baseado na minha experiência e na lição que eu achei que tinha aprendido - Pra que fazer uma boa apresentação se ninguém vai entender chongas - fiz meia dúzia de slides, ainda menos equações e um mooonte de figurinhas! Estavam na banca: Um engenheiro que trabalha com sensoriamento remoto, um físico teórico (professor meu, inclusive) que trabalha com física nuclear e supersimetrias, e um outro engenheiro que não conheço. Bem, acho que alguém ouviu minhas reclamações da MPU anterior!

Em minha defesa, eu tentei aprender com meus erros! Apenas não tirei a lição certa: Não se inscrever em MPU!! brincadeira.. hehehe (se eu fechar esse post com uma lição de moral vai ficar muito besta)

domingo, 2 de novembro de 2008

Ciências humanas e o looongo caminho pela frente

Venho há algum tempo pensando sobre ciências humanas e, baseado em discussões e leituras, começo a perceber como as ciências exatas são abençoadas! Seus fundamentos as tornam absolutamente a prova de idéias estapafúrdias! E até podemos vê-las - as idéias estapafúrdias - se formando e sendo quase imediatamente expurgadas pelos rígidos critérios experimentais. (quando chegam nesse estágio) Chavões como 'Einstein estava errado!' e 'ação e reação é uma bobagem!' se tornaram sinônimos de descrédito na física. Aliás, o sistema é tão rígido que até boas idéias tem dificuldade em ser aceitas. Mas se são realmente boas, eventualmente são absorvidas pelo meio, mesmo que para isso os defensores das idéias antigas tenham que morrer de velhice. (como geralmente acontece)

O que pensar então da ciência política?? Ou da economia?... Essas áreas estão fadadas a se arrastarem em discussões teóricas intermináveis por séculos com muito pouco, ou nenhum 'fato experimental' para agilizar na evolução das idéias. Enquanto na física se debate desde a estrutura mais fundamental da matéria até a velocidade de expansão do universo, na ciência política ainda se discute se um objeto pesado cai mais rápido que um objeto leve. Analogamente falando.

É fácil cativar jovens com o discurso de Marx. Na economia, só dá Keynes. No Brasil, a educação é totalmente baseada em Paulo Freire... Tá na hora de começar a usar o mundo, geralmente o único laboratório disponível para as ciências humanas, para acelerar esse negócio e expurgar essas pragas que assolam as áreas mais importantes do conhecimento humano. (falar é fácil, o mistério é como fazer isso!)

Esse texto, do 'Alceu Garcia' (aparentemente um pseudônimo) fala sobre como uma teoria econômica estapafúrdia não só sobreviveu, como foi adotada pelos quatro cantos do mundo. Esse trecho foi o que me inspirou a escrever esse post:

"Um estudioso sério deve formar juízo definitivo sobre a matéria investigada somente após a investigação, ou pelo menos ter a coragem de admitir que o estudo rigoroso contraria as opiniões pré-concebidas, quando isso acontecer. Keynes nunca foi um teórico. Era um ideólogo. Partia de posições firmadas antes de empreender suas análises, as quais eram cuidadosamente moldadas de maneira a apoiar essas posições, afastando toda prova em contrário e todos os críticos mediante artifícios erísticos. Esse modo de proceder é muito mais comum nos meios científicos do que se pensa, sobretudo nas ciências sociais, em que a prova rigorosa dos teoremas é menos certa do que nas ciências exatas. Daí para a subjugação de vários ramos do conhecimento pelo mais descarado charlatanismo ideológico é só um passo. Somos testemunhas, atualmente, desse fenômeno em disciplinas como sociologia, antropologia, história e sobretudo filosofia, pervertidas por farsantes de todo o tipo e reduzidas a lamentáveis mistifórios. A economia não teve destino diferente. O resultado disso é socialmente catastrófico, vez que o charlatanismo econômico afeta diretamente as vidas de todos os indivíduos. Nós, brasileiros, desafortunadamente temos acumulado larga experiência como vítimas dos incessantes "planos" de pseudo-economistas."