Venho há algum tempo pensando sobre ciências humanas e, baseado em discussões e leituras, começo a perceber como as ciências exatas são abençoadas! Seus fundamentos as tornam absolutamente a prova de idéias estapafúrdias! E até podemos vê-las - as idéias estapafúrdias - se formando e sendo quase imediatamente expurgadas pelos rígidos critérios experimentais. (quando chegam nesse estágio) Chavões como 'Einstein estava errado!' e 'ação e reação é uma bobagem!' se tornaram sinônimos de descrédito na física. Aliás, o sistema é tão rígido que até boas idéias tem dificuldade em ser aceitas. Mas se são realmente boas, eventualmente são absorvidas pelo meio, mesmo que para isso os defensores das idéias antigas tenham que morrer de velhice. (como geralmente acontece)
O que pensar então da ciência política?? Ou da economia?... Essas áreas estão fadadas a se arrastarem em discussões teóricas intermináveis por séculos com muito pouco, ou nenhum 'fato experimental' para agilizar na evolução das idéias. Enquanto na física se debate desde a estrutura mais fundamental da matéria até a velocidade de expansão do universo, na ciência política ainda se discute se um objeto pesado cai mais rápido que um objeto leve. Analogamente falando.
É fácil cativar jovens com o discurso de Marx. Na economia, só dá Keynes. No Brasil, a educação é totalmente baseada em Paulo Freire... Tá na hora de começar a usar o mundo, geralmente o único laboratório disponível para as ciências humanas, para acelerar esse negócio e expurgar essas pragas que assolam as áreas mais importantes do conhecimento humano. (falar é fácil, o mistério é como fazer isso!)
Esse texto, do 'Alceu Garcia' (aparentemente um pseudônimo) fala sobre como uma teoria econômica estapafúrdia não só sobreviveu, como foi adotada pelos quatro cantos do mundo. Esse trecho foi o que me inspirou a escrever esse post:
"Um estudioso sério deve formar juízo definitivo sobre a matéria investigada somente após a investigação, ou pelo menos ter a coragem de admitir que o estudo rigoroso contraria as opiniões pré-concebidas, quando isso acontecer. Keynes nunca foi um teórico. Era um ideólogo. Partia de posições firmadas antes de empreender suas análises, as quais eram cuidadosamente moldadas de maneira a apoiar essas posições, afastando toda prova em contrário e todos os críticos mediante artifícios erísticos. Esse modo de proceder é muito mais comum nos meios científicos do que se pensa, sobretudo nas ciências sociais, em que a prova rigorosa dos teoremas é menos certa do que nas ciências exatas. Daí para a subjugação de vários ramos do conhecimento pelo mais descarado charlatanismo ideológico é só um passo. Somos testemunhas, atualmente, desse fenômeno em disciplinas como sociologia, antropologia, história e sobretudo filosofia, pervertidas por farsantes de todo o tipo e reduzidas a lamentáveis mistifórios. A economia não teve destino diferente. O resultado disso é socialmente catastrófico, vez que o charlatanismo econômico afeta diretamente as vidas de todos os indivíduos. Nós, brasileiros, desafortunadamente temos acumulado larga experiência como vítimas dos incessantes "planos" de pseudo-economistas."


5 comentários:
Essa questão das chamadas ciências sociais lembra minha malfadada experiência na faculdade de História, com professores marxistas que acreditavam conhecer o "fim da Historia". Na faculdade de Direito, na cadeira de Sociologia, tive que aguentar um professor marxista discorrer sobre comunismo e a extinção do Estado, este negócio usado por ricos para controlar pobres. Quando perguntei sobre o que aconteceria com o Direito em uma sociedade sem Estado, ele não soube responder. Acho que nem Marx saberia. Enfim, essa área do conhecimento humano, conhecida vagamente por ciências sociais está fadada a ser refúgio de picaretas e loucos.
A Economia eu vejo diferente. É uma ciência muito mais formal do que aparenta ser. É mais "difícil" que física e matemática, pois os atores, ao contrário de partículas, podem se contrapor à hipótese e torná-la inválida só de sacanagem.
Ou seja, não é falha metodológica, é só uma área MUITO difícil. As Ciências Sociais em geral estão tomando o mesmo rumo, em parte pela entrada de Físicos na área, mas em parte por que chega uma hora que tem que testar as hipóteses nessa coisa chamada mundo real.
Mas tem algumas áreas que não dá para aguentar mesmo. Constrói-se "conhecimento" na base da arguição somente e quando alguém (importante) fala algo, torna-se a verdade que é utilizada para novas construções sem nunca existir verificação.
É verdade. Eu ignorei a influência dificuldade de se estudar economia quando falei dos problemas. É fácil ter uma idéia do tamanho do pepino.. na física se estudam vários sistemas complexos como fluidos, por exemplo, onde se tem pelo menos uma vaga idéia de como os constituintes do fluido se comportam e interagem. Economia nem isso tem!
Mas, se eu entendi o que tu quis dizer com metodologia, ainda acho que esse é um fator maior. Tendo como verificar os modelos, não tem como invalidar/validar um ou outro modelo ao bel-prazer do sujeito. Mesmo que os mesmos sejam capengas, pela dificuldade inerente a área.
Em Economia os modelos e hipóteses tendem a ser transientes. Quando um cara se dá conta de como funciona o mercado, por exemplo, e divulga isso, pode acontecer de que, se todo mundo começar a usar o modelo para tentar, digamos, lucrar mais, o sistema deixa de se comportar como previsto no modelo.
Isto é, a metodologia está correta, o objeto de estudo é que não pára quieto. Aliás, meio quântico isso: se ninguém observar, o negócio se comporta de uma maneira; mas quando observam e entendem o que está acontecendo, o negócio muda de comportamento :)
(opa: dará para explicar fenômenos quânticos com ferramentas da Economia?)
"o objeto de estudo é que não pára quieto"
hehehehe.
Isso me convenceu! =D (bom.. mais ou menos!)
Mas então eu me pergunto: será que isso é um indicativo de que não existem leis fundamentais na economia, ou simplesmente os modelos não alcançaram esse ponto ainda? Po, modelo com prazo de validade é dose!
Fico pensando nos modelos que defendem intervencionismo ou liberalismo de mercado. Será que também sofrem desse mal? Eles parecem tocar em pontos bem fundamentais. Além do problema da metodologia e o fato de que a economia é uma pedreira, esse tópico fica perigosamente perto da fronteira com a "ciência política"! (acredito que é mais um empecilho no desenvolvimento)
Mas falando de mecânica quântica... (já que esgotei tudo que "sei" de economia!) O fato das medidas nunca retornarem o mesmo valor poderia ter gerado vários modelos explicando os vários resultados do mesmo experimento, isto é, prazo de validade, até alguém mostrar que existe um padrão na probabilidade. Mas não acho que esse problema específico tenha se manifestado, pois o fato de que as medidas sempre tem diferentes resultados eram verificados quase imediatamente nos experimentos. (um fóton por vez na fenda dupla, por exemplo). Bem... esse era o meu ponto, que a metodologia facilitou o desenvolvimento. Mas acho forcei a barra! :]
Aplicar MQ na economia: "vou resolver a equação de Schrödinger pra encontrar a função de onda da minha empresa!" já pensou?? não quero nem ver o Hamiltoniano desse sistema... heheheh que bobagem!
Postar um comentário